domingo, 25 de junho de 2017

CERRADÃO

CERRADÃO

Trilha em área de cerradão no
Parque Estadual Matas do SegredoCampo Grande, MS.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerrad%C3%A3o
Cerradão é a uma formação florestal do bioma Cerrado com características esclerofilas (grande ocorrência de órgãos vegetais rijos, principalmente folhas) e xeromórficas (com características como folhas reduzidas, suculência, pilosidade densa ou com cutícula grossa que permitem conservar água e, portanto, suportar condições de seca). Caracteriza-se pela presença preferencial de espécies que ocorrem no Cerrado sentido restrito e também por espécies de florestas, particularmente as da Mata Seca Semidecídua e da Mata de Galeria não-Inundável. Do ponto de vista fisionômico é uma floresta, mas floristicamente se assemelha mais ao Cerrado sentido restrito.

Aspecto do interior da vegetação 
no Parque Estadual Matas do Segredo.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerrad%C3%A3o

O Cerradão apresenta dossel contínuo e cobertura arbórea que pode oscilar de 50 a 90%, sendo maior na estação chuvosa e menor na seca. A altura média da camada de árvores varia de 8 a 15 metros, proporcionando condições de luminosidade que favorecem a formação de camadas de arbustivas e herbáceas diferenciadas. Embora possa manter um volume constante de folhas nas árvores (padrão denominado perenifólio) o padrão geral é de perda parcial desse volume (ou semidecíduo), sendo que muitas espécies comuns ao Cerrado sentido restrito como Caryocar brasiliense (pequi), Kielmeyera coriacea (pau-santo) e Qualea grandiflora (pau-terra), ou comuns às Matas Secas, como Dilodendron bippinatum e Physocallimma scaberrimum (sega-machado), apresentam queda das folhas em determinados períodos na estação seca. Estes períodos nem sempre são coincidentes com aqueles das populações do Cerrado ou da Mata. A presença de espécies epífitas é reduzida, restringindo-se a algumas bromélias (Billbergia e Tillandsia) e plantas como o cactos conhecido comumente como saborosa (Epiphyllum phyllanthus).

Em sua maioria, os solos de Cerradão são profundos, bem drenados, de média e baixa fertilidade, ligeiramente ácidos, pertencentes às classes Latossolo Vermelho ou Latossolo Vermelho Amarelo. Também pode ocorrer em proporção menor Cambissolo Distrófico. O teor de matéria orgânica nos horizontes superficiais é médio e recebe um incremento anual de resíduos orgânicos provenientes da deposição de folhas durante a estação seca.

De acordo com a fertilidade do solo o Cerradão pode ser classificado como Cerradão Distrófico (solos pobres) ou Cerradão Mesotrófico (solos mais ricos, ainda que de fertilidade médiana), cada qual possuindo espécies características adaptadas a esses ambientes.

Diagrama de perfil (1) e cobertura arbórea (2) de um Cerradão representando 
uma faixa de 80 m de comprimento por 10 m de largura.

Ilustração: Wellington Cavalcanti

  • Espécies arbóreas mais freqüentes no Cerradão DistróficoCaryocar brasiliense (pequi), Copaifera langsdorffii (copaíba), Emmotum nitens (sobre, carvalho), Hirtella glandulosa (oiti), Lafoensia pacari (pacari), Siphoneugena densiflora (maria-preta), Vochysia haenkeana (escorrega-macaco) e Xylopia aromatica (pindaíba, pimenta-de-macaco). Alguns autores também mencionam como espécies normalmente encontradas nas áreas distróficas: Agonandra brasiliensis (pau-marfim), Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Dalbergia miscolobium (jacarandá-do-cerrado), Dimorphandra mollis (faveiro), Kielmeyera coriacea (pau-santo), Machaerium opacum (jacarandá-muchiba), Plathymenia reticulata (vinhático), Pterodon emarginatusP. pubescens (sucupira-branca), Qualea grandiflora (pau-terra-grande) e Sclerolobium paniculatum (carvoeiro).

  • Espécies arbóreas mais freqüentes no Cerradão MesotróficoCallisthene fasciculata (jacaré-da-folha-grande), Dilodendron bippinatum (maria-pobre), Guazuma ulmifolia (mutamba), Helicteres brevispira (saca-rolha), Luehea candicansL. paniculata (açoita-cavalo), Magonia pubescens (tinguí) e Platypodium elegans (canzileiro). Em áreas mesotróficas alguns autores ainda incluem Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves), Dipteryx alata (baru), Physocallimma scaberrimum (cega-machado), Pseudobombax tomentosum (imbiruçu) e Terminalia argentea (capitão-do-campo).
Como arbustos mais freqüentes são citados na literatura, entre outras, as espécies Alibertia edulis (marmelada-de-cachorro), A. sessilisBrosimum gaudichaudii (mama-cadela), Bauhinia brevipes (= B. bongardii; unha-de-vaca), Casearia sylvestris (guaçatonga), Copaifera oblongifolia (pau-d’olinho), Duguetia furfuracea (pinha-do-campo), Miconia albicans (quaresma-branca, folha-branca), M. macrothyrsa, e Rudgea viburnoides (bugre). Alguns autores indicaram também Psychotria hoffmanseggiana, além das gramíneas Aristida longifoliaEchinolaena inflexa (capim-flexinha) e a exótica Melinis minutiflora (capim-gordura). Do estrato herbáceo, foram indicadas como freqüentes, para a região da Chapada dos Veadeiros (GO), gramíneas dos gêneros AristidaAxonopusPaspalum e Trachypogon.

Todas as espécies mencionadas podem ser encontradas em outras formações florestais ou savânicas. Em estudo de 1994, que teve como base a vegetação da Chapada Pratinha, a pesquisadora Felfili e sua equipe do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília, não encontraram espécies exclusivas de Cerradão, quer no estrato arbóreo, quer no estrato arbustivo.

ESTAÇÃO ECOLÓGICA ÁGUAS EMENDADAS
FOTO DE LUÍS CARVALHO - TRILHA DE PROFESSORES
COM O PROJETO CERRADO COM VIDA
- CERRADÃO -


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerrad%C3%A3o. Acesso em 25/06/2017
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_58_911200585234.html. Acesso em 2506/2017
  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998



sábado, 24 de junho de 2017

VEREDA

VEREDAS

VEREDA

VEREDA -  ESTAÇÃO ECOLÓGICA ÁGUAS EMENDADAS
Vereda é um tipo de vegetação com a palmeira arbórea Mauritia flexuosa (buriti) emergente, em meio a agrupamentos mais ou menos densos de espécies arbustivo-herbáceas. As Veredas são circundadas por campos típicos, geralmente úmidos, e os buritis não formam dossel (cobertura contínua formada pela copa das árvores) como ocorre no Buritizal. A literatura indica três zonas ligadas à topografia e à drenagem do solo: ‘borda’ (local de solo mais seco, em trecho campestre onde podem ocorrer arvoretas isoladas); ‘meio’ (solo medianamente úmido, tipicamente campestre); e ‘fundo’ (solo saturado com água, brejoso, onde ocorrem os buritis, muitos arbustos e arvoretas adensadas). Estas zonas têm flora diferenciada. As duas primeiras zonas correspondem à faixa tipicamente campestre e o ‘fundo’ corresponde ao bosque sempre-verde, caracterizado assim pela literatura. Em conjunto essas zonas definem uma savana.

Diagrama de perfil (1) e cobertura arbórea (2) de uma Vereda representando uma faixa de 40 m de comprimento por 10 m de largura.

Ilustração: Wellington Cavalcanti


Na Vereda os buritis adultos possuem altura média de 12 a 15 metros e a cobertura varia de 5% a 10%. Assim como no ‘Parque de Cerrado’, esta cobertura refere-se a um trecho com as três zonas da Vereda. Se consideradas somente a ‘borda’ e o ‘meio’, a cobertura arbórea pode ser próxima de 0%. Se considerado o ‘fundo’, a cobertura sobe para porcentagens acima de 50% em alguns trechos, com uma vegetação densa de arbustos e arvoretas, efetivamente impenetrável em muitos locais.

As Veredas ocorrem em solos argilosos e mal drenados, com alto índice de saturação durante a maior parte do ano. Geralmente ocupam os vales pouco íngremes ou áreas planas, acompanhando linhas de drenagem mal definidas, quase sempre sem murundus (microrrelevo, em forma de montículo, típico de algumas formações vegetais do Cerrado). Também são comuns numa posição intermediária do terreno, próximas às nascentes (olhos d’água), ou nas bordas das cabeceiras de Matas de Galeria.
A ocorrência da Vereda condiciona-se ao afloramento do reservatório subterrâneo de água (lençol freático), decorrente de camadas de permeabilidade diferentes em áreas de deposição de sedimentos do período Cretáceo (período geológico que se estendeu entre 141 milhões e 65 milhões de anos antes do período presente) e Triássico (período que está compreendido entre 251 milhões e 199 milhões e 600 mil anos atrás, aproximadamente). As veredas exercem papel fundamental na distribuição dos rios e seus afluentes, na manutenção da fauna do Cerrado, funcionando como local de pouso para a fauna de aves, atuando como refúgio, abrigo, fonte de alimento e local de reprodução para a fauna terrestre e aquática. Apesar desta importância, as Veredas têm sido progressivamente pressionadas em várias localidades do bioma Cerrado, devido às ações agrícolas e pastoris. Além disso, têm sido descaracterizadas pela construção de pequenas barragens e açudes, por estradas, pela agricultura, pela pecuária e até mesmo por queimadas excessivas. O simples pisoteio do gado pode causar processos erosivos e compactação do solo, que afetam a taxa de infiltração de água que vai alimentar os reservatórios subterrâneos.

Quanto a flora, as famílias encontradas com muita freqüência nas áreas campestres da Vereda são Poaceae (Gramineae), destacando-se os gêneros AndropogonAxonopusAristidaPanicumPaspalumSchizachyrium e Trachypogon; Asteraceae (BaccharisEupatorium e Vernonia – sensu lato); Cyperaceae (BulbostylisCyperus e Rhynchospora); Melastomataceae (MiconiaMicrolicia e Tibouchina); Fabaceae (Desmodium e Stylosanthes); e Eriocaulaceae (EriocaulonPaepalanthus e Syngonanthus). Além desses táxons também são ricos os gêneros ChamaecristaEchinodorusHabenariaHyptisLudwigiaLycopodiellaMimosaPolygalaUtricularia e Xyris.
O ambiente propício para o estabelecimento dos buritis é o fundo da Vereda. Nesta zona, são mais freqüentes as seguintes espécies: Calophyllum brasiliense (landim), Cecropia pachystachya (embaúba), Euplassa inaequalis (fruta-de-morcego), Guarea macrophylla (marinheiro), Hedyosmum brasiliense (chá-de-soldado), Ilex affinis (congonha), Leandra spp., Miconia theaezans (quaresma) e Myrsine spp. Em estádios mais avançados de formação de Mata, podem ser encontradas árvores como Richeria grandis (jaca-brava), Symplocos nitens (congonha), Talauma ovata (pinha-do-brejo), Unonopsis lindmanii (embira-preta) e Virola sebifera (virola), dentre outras espécies que caracterizam a Mata de Galeria Inundável.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • http://cmbbc.cpac.embrapa.br/vegetacao.htm. Acessoe em 24/06/2017
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_65_911200585234.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www.amigosdasflorestas.org.br/2014/08/cerrado-uma-janela-para-o-planeta.html. Acesso em 24/06/2017
  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998


PALMEIRAL

PALMEIRAL

Palmeiral
http://cmbbc.cpac.embrapa.br/vegetacao.htm

A formação savânica caracterizada pela presença marcante de uma única espécie de palmeira arbórea é denominada Palmeiral. Neste tipo de formação vegetal praticamente não há destaque das árvores dicotiledôneas (plantas que ao germinar têm duas pequenas folhas, cotilédones; como o feijão), embora essas possam ocorrer com freqüência baixa.
No bioma Cerrado podem ser encontrados pelo menos quatro subtipos mais comuns de palmeirais, que variam em estrutura de acordo com a espécie dominante. Pelo domínio de determinada palmeira, o trecho de vegetação pode ser designado pelo nome comum da espécie. Em geral os Palmeirais do Cerrado são encontrados em terrenos bem drenados, onde pode haver a formação de galerias acompanhando as linhas de drenagem, em uma típica estrutura de floresta (Eiten 1983, 1994).

 Diagrama de perfil (1) e cobertura arbórea (2) de três palmeirais representando faixas com cerca de 26 m de comprimento por 10m de largura cada. O trecho do lado esquerdo (A) mostra um Palmeiral onde predomina a gueroba (ou guariroba), o trecho central (B) onde predomina o babaçu e o trecho da direita (C) onde predomina o buriti.

Ilustração: Wellington Cavalcanti


Palmeirais em solos bem drenados geralmente são encontrados nos níveis de relevos que separam os fundos dos vales (interflúvios), e a espécie dominante pertence aos gêneros AcrocomiaAttalea Syagrus. Na região nuclear do Cerrado (área contínua de ocorrência do bioma, ou área core) ocorrem em áreas localizadas, embora localmente possam ocupar trechos consideráveis do terreno. Quando o dossel (cobertura florestal formada pela copa das árvores) é tipicamente descontínuo ou quando não há formação de dossel, os palmeirais comumente são formados pelas espécies Acrocomia aculeata, a macaúba, que caracteriza o Macaubal; e Syagrus oleracea, a gueroba ou guariroba, que caracteriza o Guerobal. Se a espécie dominante for Attalea speciosa, o babaçu, fica caracterizado o Babaçual, que pode formar um dossel mais contínuo que nos casos anteriores.
A presença do babaçu parece associar-se fortemente a áreas perturbadas pelo homem (ditas antropizadas), onde coloniza agressivamente antigas formações florestais desmatadas. A espécie resiste a fogo moderado, que faz sucumbir outras espécies arbóreas. No Centro-Oeste o babaçu não chega a ocupar grandes áreas, como se verifica em largos trechos do Maranhão, embora sua presença seja marcante onde ocorre.
O Babaçual caracteriza-se por altura média de 8 a 15 metros e uma cobertura variável de 30% a 60%. Apesar de ser típico dos interflúvios, também pode ocupar faixas ao longo dos rios de maior porte da região, chegando a compor a vegetação ciliar (tipo de vegetação associada às margens de rios, córregos e solos saturados, que não forma uma galeria). Entretanto isto ocorre apenas nos trechos onde o solo é bem drenado, e não sujeito a inundações periódicas.
O Buritizal é um tipo de vegetação onde há formação de dossel descontínuo e sem uma vegetação arbustivo-herbácea associada. O dossel do Buritizal possui altura variável de 12 a 20 metros e forma uma cobertura quase homogênea ao longo do ano, variável de 40% a 70%. Muitas vezes o Buritizal tem sido referido como Vereda, uma formação vegetal em que há, necessariamente, uma camada arbustivo-herbácea acompanhando o buriti, sem a formação de uma cobertura contínua (dossel) e sem um trecho de campo associado.
Como referido antes, em sentido puramente fisionômico alguns trechos com Buritizal devem ser considerados formações florestais, o que também vale para determinados trechos com outras espécies de palmeiras arbóreas. Para que os Palmeirais sejam considerados formações florestais é necessário que haja uma cobertura de 60% a 80%, formando dossel contínuo. Eventualmente o Buritizal forma galerias, mas não pode ser confundido com uma Mata de Galeria Inundável, pois a Mata é composta de inúmeras espécies, sem a dominância marcante do buriti.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • http://cmbbc.cpac.embrapa.br/vegetacao.htm. Acessoe em 24/06/2017
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_51_911200585234.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www.amigosdasflorestas.org.br/2014/08/cerrado-uma-janela-para-o-planeta.html. Acesso em 24/06/2017
  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998.


MATA SECA

MATA SECA

MATA SECA SEMIDECÍDUA - Bonito/MS
Caminho para Gruta do Lagoa Azul
Sob a designação Mata Seca estão incluídas as formações florestais no bioma Cerrado que não possuem associação com cursos de água, caracterizadas por diversos níveis de queda das folhas durante a estação seca. A vegetação ocorre nos níveis de relevos que separam os fundos de vales (interflúvios), em locais geralmente mais ricos em nutrientes. A Mata Seca é dependente das condições químicas e físicas do solo mesotrófico (de condições médias em relação à disponibilidade de nutrientes), principalmente da profundidade. Em função do tipo de solo, da composição florística e, em conseqüência, da queda de folhas no período seco, a Mata Seca pode ser tratada sob três subtipos: Mata Seca Sempre-Verde (Figura 5a), Mata Seca Semidecídua (Figura 5b), a mais comum, e Mata Seca Decídua (Figura 5c). Em todos esses subtipos a queda de folhas contribui para o aumento da matéria orgânica no solo, mesmo na Mata Seca Sempre-Verde.


A Mata Seca pode ser encontrada em solos desenvolvidos em rochas básicas de alta fertilidade (Terra Roxa Estruturada, Brunizém ou Cambissolos), em Latossolos Roxo e Vermelho-Escuro, de média fertilidade, em que ocorrem principalmente as Matas Secas Sempre-Verde e Semidecídua. Sobre solos de origem calcária, freqüentemente em afloramentos rochosos típicos, ocorre a Mata Seca Decídua, que também pode ocorrer em solos de outras origens.

A altura média da camada de árvores (estrato arbóreo) varia entre 15 e 25 metros. A grande maioria das árvores é ereta, com alguns indivíduos emergentes. Na época chuvosa as copas se tocam, fornecendo uma cobertura arbórea de 70 a 95%. Na época seca a cobertura pode ser inferior a 50%, especialmente na Mata Decídua, que atinge porcentagens inferiores a 35%, devido ao predomínio de espécies caducifólias. O dossel fechado na época chuvosa desfavorece a presença de muitas plantas arbustivas, enquanto a diminuição da cobertura na época seca não possibilita a presença de muitas espécies epífitas. Estas ocorrem em menor quantidade de espécies e de indivíduos do que nas Matas de Galeria e Ciliares, havendo até mesmo espécies de Orchidaceae indicadoras das Matas Secas Decídua e Semidecídua como, Encyclia conchaechila (= E. linearifolioides), Oncidium cebolletaO. fuscopetalumO. macropetalum e O. pumilum. Cipós também não são raros, pertencendo a gêneros como ArrabidaeaBanisteriopsisBauhinia e Pithecoctenium.
A Mata Seca Decídua pode apresentar-se com um aspecto singular (estrutura e ambiente) quando ocupa áreas rochosas de origem calcária, situação em que também é conhecida por Mata Calcária ou Mata Seca em solo calcário . Tais áreas em geral são muito acidentadas em função dos afloramentos calcários e possuem composição florística diferenciada dos demais tipos de Mata Seca, mesmo as Decíduas sobre outros solos mesotróficos. As copas não se tocam necessariamente (o dossel pode ser descontínuo), fornecendo uma cobertura arbórea de 60 a 90% na estação chuvosa, que cai para 35% até 15% na estação seca. Além desses aspectos, a caracterização dessa fitofisionomia se dá pela presença de espécies como Commiphora leptophloeus (amburana-de-cambão), Cavanillesia arborea (barriguda), Chorisia pubiflora (paineira), Combretum duarteanum (vaqueta, caatinga-branca), Spondias mombin (cajazeira, cajá), agrupamentos de Cyrtopodium spp. (sumaré) e Encholirium spp. ou também de algumas espécies de cactáceas e aráceas. É também grande o número de espécies espinhosas ou urticantes. Segundo alguns estudiosos esse tipo de Mata possui afinidades florísticas com o Cerradão Mesotrófico e com a Caatinga, podendo ser considerada como um tipo de Caatinga arbórea."(SANO & ALMEIDA, 1998, p.111 - 114)



Interflúvio: É um terreno ou área mais elevada situada entre dois vales. Apesar de às vezes este termo ser usado como sinônimo de divisor de águas, o interflúvio se caracteriza mais por ser toda a região ou área compreendida entre dois talvegues, ou entre dois cursos de maior importância de uma mesma bacia hidrográfica ou mesmo de bacias distintas, ao passo que o termo divisor de águas é mais adequado para designar não uma área mas uma linha(linha de cumeada).

INTERFLÚVIO


Talvegue:  (Hidrologia) - A linha formada pela intersecção das duas superfícies formadoras das vertentes de um vale. É o local mais profundo do vale, onde correm as águas de chuva, dos rios e riachos.

TALVEGUE



Etimologia: Talvegue vem do alemão talweg e significa: "caminho do vale".

A figura formada pelo traçado de todos os talvegues de uma área é conhecido como rede de drenagem, sendo útil para estudos de geologia, tectônica, hidrogeológicos, entre outros.

Teoricamente, os talvegues de rios de planícies que desaguam no mar constituem-se no nível de base para a erosão fluvial. 


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:

  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998.
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_67_911200585234.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www-geografia.blogspot.com.br/2013/03/o-que-e-interfluvio.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www-geografia.blogspot.com.br/2013/03/o-que-e-talvegue.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_67_911200585234.html. Acesso em 24/06/2017.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

MATA CILIAR/MATA DE GALERIA

Mata Ciliar
Rio Sucuri - Bonito/MS
Foto de Heloisa Carvalho
MATA CILIAR X MATA DE GALERIA

Mata Ciliar e Mata de Galeria são formas de vegetação que acompanham cursos d’água e ambientes de drenagem em geral. Caracterizam-se pela importância biológica que exercem sobre o ambiente em que estão instaladas, evitando, principalmente, a ocorrência de erosões fluviais.


A diferença básica entre essas duas formas de vegetação está em suas fisionomias. As matas de galeria circundam o leito do rio, formando uma espécie de “túnel” ou galeria, enquanto nas matas ciliares o ambiente é aberto. Nas matas de galeria, as copas (parte superior) das árvores entre os dois lados do rio encontram-se, enquanto na mata ciliar isso não acontece.

(http://brasilescola.uol.com.br/geografia/mata-ciliar-mata-galeria.htm)

Outra diferença marcante que que diferencia a Mata Ciliar  da Mata de Galeria está na deciduidade e pela composição florística, sendo que na primeira há diferentes graus de caducifolia(significa folhas que caducam, ou seja, folhas que caem. Esse processo ocorre na estação do inverno e volta a brotar somente na primavera) na estação seca enquanto que na Mata de Galeria é perenifóliarvores cujas folhas se mantêm durante o ano todo).


MATA CILIAR

MATA CILIAR

MATA DE GALERIA
MATA DE GALERIA INUNDÁVEL



Mata de Galeria - foto de Heloisa Carvalho
Cachoeira do Rosário- Pirenópolis/GO

Mata de Galeria - fot de Heloisa Carvalho
Cachoeira do rosário - Pirenópolis/GO



Mata Ciliar - Foto de Heloisa Carvalho
Rio Sucuri - Bonito/MS

Mata Ciliar - Foto de Heloisa Carvalho
Rio Sucuri - Bonito/MS



























QUANTO A LARGURA DO RIO
Mata Ciliar - acompanha rios de médio e grande porte do Cerrado; a vegetação arbórea não forma galerias - as copas não se encontram.
Mata de Galeria - acompanha os rios de pequeno porte e córregos dos planaltos do Brasil Central; formam galerias(corredores fechados) sobre o curso d'água - as copás se encontram.

QUANTO A LARGURA DA MARGEM
Mata Ciliar - dificilmente ultrapassa 100 metros de largura em cada margem, ou seja, relativamente estreita nas margens, sendo comum a largura da margem ser proporcional à do leito do rio, embora áreas planas a largura seja maior. Porém, a Mata Ciliar ocorre geralmente sobre terrenos acidentados, podendo haver uma transição nem sempre evidente para outras fisionomias florestais como a Mata Seca e o Cerradão.
Mata de Galeria - Geralmente localiza-se nos fundos dos vales ou nas cabeceiras de drenagem onde os cursos de água ainda não escavaram um canal definitivo. 

QUANTO A FORMA DE QUEDA DAS FOLHAS

Mata Ciliar - há diferentes graus de queda das folhas na estação seca.
Mata de Galeria - as plantas nunca perdem inteiramente as folhas. Essa tipo de formação florestal mantém permanentemente as folhas (perenifólia), não apresentando queda significativa das folhas durante a estação seca.

QUANTO AOS ELEMENTOS FLORÍSTICOS

Mata ciliar: Floristicamente é mais similar à Mata Seca, diferenciando-se desta pela associação ao curso de água e pela estrutura, que em geral é mais densa e mais alta, com elementos florísticos específicos no trecho de contato com o leito do rio.
Mata de Galeria: Quase sempre é circundada por faixas de vegetação não florestal em ambas as margens, e em geral ocorre uma transição brusca com formações savânicas e campestres. A transição é quase imperceptível quando ocorre com Matas Ciliares, Matas Secas ou mesmo Cerradões, o que é mais raro, muito embora pela composição florística seja possível diferenciá-las.


  • Nos locais onde pequenos afluentes (córregos ou riachos) deságuam no rio principal, a flora típica da Mata Ciliar pode misturar-se à flora da Mata de Galeria, fazendo com que a delimitação fisionômica entre um tipo e outro seja dificultada.




FONTES:

  • (http://brasilescola.uol.com.br/geografia/mata-ciliar-mata-galeria.htm)
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_66_911200585234.html. Acesso em 22/06/2017.
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_61_911200585234.html. Acesso em 22/06/2017.
  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998.


sábado, 18 de março de 2017

PROFESSORES DO CEF 08 DE TAGUATINGA VISITAM A FLONA

TRILHA EXPLICATIVA
FLONA
Data: 14/03/2017

NOME DA UNIDADE: Floresta Nacional de Brasília

BIOMA: Cerrado

DIPLOMA LEGAL DE CRIAÇÃO: Dec s/nº de 10 de junho de 1999 

ENDEREÇO / CIDADE / UF / CEP: BR 070, km 03Taguatinga/DF -
CEP: 72.000-000


TAGUATINGA-DF

PROJETO CERRADO COM VIDA



Analista Ambiental Léo Gondin

O ensino - educação ambiental busca disseminar os conhecimentos a respeito da natureza, com o propósito de conservar e preservar os recursos naturais necessários para a humanidade.

A educação ambiental é um dever de todos, uma responsabilidade social.

O conhecimento ambiental deve ser tratado de forma transdisciplinar se fazendo necessário para que haja uma igualdade, tanto nas atitudes, pensamentos e habilidades utilizadas a favor do meio ambiente. 

A Educação Ambiental, a partir de uma abordagem transdisciplinar, pode aproximar as pessoas, em seus mais diversos espaços, e construir coletivamente caminhos possíveis para melhor qualidade de vida.

CLIQUE NO CENTRO DE CADA VÍDEO



Fezes do Lobo Guará
O que aprendemos a respeito?




Falando sobre passeio ciclístico
dia 08/03/2017
FOI UM SUCESSO!!!


PINHEIROS E EUCALIPTOS
VEGETAÇÃO EXÓTICA E HISTÓRICO DA FLONA





ÁGUA E RACIONAMENTO
Função da Flona em relação a água.
"Cuidando da Flona,
cuidando de nós."

Caminhando para o córrego




Ainda sobre o córrego,
cuja nascente estava a cem metros.
Um dos córregos que abastece a
Barragem do Descoberto.




Transição do Cerrado Típico
para
Mata de Galeria



Mata de Galeria - Córrego dos Currais.
Solo hidromórfico.
Vegetação arbórea mais esguia e mais alta, troncos liso e não tortuosos, o que difere do cerrado típico.



Dinâmica do Silêncio

Nossa vida faz parte de uma rede. Um sistema.
Não existe nada sem uma razão de ser.
O respeito é a consideração de amor
um pouco mais refinada.


Formigas Sauva.
Formigas que produzem seu próprio alimento.
São organizadas.


Campo de Murundus.
Os murundus são pequenas porções de terras
mais elevadas, ovais ou circulares, com
espécies vegetais típicas do Bioma Cerrado.
Entre os murundus, na porção rebaixada topograficamente, predomina uma vegetação graminóide que sofre
 influência das inundações periódicas.
A paisagem é conhecida como
"campo de murundus"(PONCE &CUNHA 1993).
A sedimentação trazida pela chuva contribui para o aumento gradativo do tamanho dos murundus.


Seca deste ano(2017)


Piquenique 

- O PROJETO CERRADO COM VIDA AGRADECE:
  • AO CHEFE DA FLORESTA NACIONAL DE BRASÍLIA:   Robson Rodrigues da Silva.
  • À DIREÇÃO, COORDENAÇÃO, ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL E PROFESSORES DO CEF 08 DE TAGUATINGA.