sábado, 24 de junho de 2017

PALMEIRAL

PALMEIRAL

Palmeiral
http://cmbbc.cpac.embrapa.br/vegetacao.htm

A formação savânica caracterizada pela presença marcante de uma única espécie de palmeira arbórea é denominada Palmeiral. Neste tipo de formação vegetal praticamente não há destaque das árvores dicotiledôneas (plantas que ao germinar têm duas pequenas folhas, cotilédones; como o feijão), embora essas possam ocorrer com freqüência baixa.
No bioma Cerrado podem ser encontrados pelo menos quatro subtipos mais comuns de palmeirais, que variam em estrutura de acordo com a espécie dominante. Pelo domínio de determinada palmeira, o trecho de vegetação pode ser designado pelo nome comum da espécie. Em geral os Palmeirais do Cerrado são encontrados em terrenos bem drenados, onde pode haver a formação de galerias acompanhando as linhas de drenagem, em uma típica estrutura de floresta (Eiten 1983, 1994).

 Diagrama de perfil (1) e cobertura arbórea (2) de três palmeirais representando faixas com cerca de 26 m de comprimento por 10m de largura cada. O trecho do lado esquerdo (A) mostra um Palmeiral onde predomina a gueroba (ou guariroba), o trecho central (B) onde predomina o babaçu e o trecho da direita (C) onde predomina o buriti.

Ilustração: Wellington Cavalcanti


Palmeirais em solos bem drenados geralmente são encontrados nos níveis de relevos que separam os fundos dos vales (interflúvios), e a espécie dominante pertence aos gêneros Acrocomia, Attalea e Syagrus. Na região nuclear do Cerrado (área contínua de ocorrência do bioma, ou área core) ocorrem em áreas localizadas, embora localmente possam ocupar trechos consideráveis do terreno. Quando o dossel (cobertura florestal formada pela copa das árvores) é tipicamente descontínuo ou quando não há formação de dossel, os palmeirais comumente são formados pelas espécies Acrocomia aculeata, a macaúba, que caracteriza o Macaubal; e Syagrus oleracea, a gueroba ou guariroba, que caracteriza o Guerobal. Se a espécie dominante for Attalea speciosa, o babaçu, fica caracterizado o Babaçual, que pode formar um dossel mais contínuo que nos casos anteriores.
A presença do babaçu parece associar-se fortemente a áreas perturbadas pelo homem (ditas antropizadas), onde coloniza agressivamente antigas formações florestais desmatadas. A espécie resiste a fogo moderado, que faz sucumbir outras espécies arbóreas. No Centro-Oeste o babaçu não chega a ocupar grandes áreas, como se verifica em largos trechos do Maranhão, embora sua presença seja marcante onde ocorre.
O Babaçual caracteriza-se por altura média de 8 a 15 metros e uma cobertura variável de 30% a 60%. Apesar de ser típico dos interflúvios, também pode ocupar faixas ao longo dos rios de maior porte da região, chegando a compor a vegetação ciliar (tipo de vegetação associada às margens de rios, córregos e solos saturados, que não forma uma galeria). Entretanto isto ocorre apenas nos trechos onde o solo é bem drenado, e não sujeito a inundações periódicas.
O Buritizal é um tipo de vegetação onde há formação de dossel descontínuo e sem uma vegetação arbustivo-herbácea associada. O dossel do Buritizal possui altura variável de 12 a 20 metros e forma uma cobertura quase homogênea ao longo do ano, variável de 40% a 70%. Muitas vezes o Buritizal tem sido referido como Vereda, uma formação vegetal em que há, necessariamente, uma camada arbustivo-herbácea acompanhando o buriti, sem a formação de uma cobertura contínua (dossel) e sem um trecho de campo associado.
Como referido antes, em sentido puramente fisionômico alguns trechos com Buritizal devem ser considerados formações florestais, o que também vale para determinados trechos com outras espécies de palmeiras arbóreas. Para que os Palmeirais sejam considerados formações florestais é necessário que haja uma cobertura de 60% a 80%, formando dossel contínuo. Eventualmente o Buritizal forma galerias, mas não pode ser confundido com uma Mata de Galeria Inundável, pois a Mata é composta de inúmeras espécies, sem a dominância marcante do buriti.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • http://cmbbc.cpac.embrapa.br/vegetacao.htm. Acessoe em 24/06/2017
  • http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_51_911200585234.html. Acesso em 24/06/2017
  • http://www.amigosdasflorestas.org.br/2014/08/cerrado-uma-janela-para-o-planeta.html. Acesso em 24/06/2017
  • SANO, S.M.;ALMEIDA, S.P..Cerrado: ambiente e flora.Planaltina: Embrapa, 1998.


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